VOCÊ JÁ OUVIU FALAR NA “MICROBIOTA INDÍGENA DO TRATO GASTRINTESTINAL”?


          

                A Microbiota indígena do trato gastrintestinal é um ecossistema bacteriano presente no intestino humano, tanto no delgado como no grosso. As colônias formadas por espécies de estafilococos, estreptococos e lactobacilos, são mais representativas na porção do íleo proximal do intestino delgado e as bacteroides, fusobacterium e clostridium, no íleo distal uma porção com uma grande quantidade e diversidade dessas devido ao seu menor peristaltismo (movimento).



Intestino delgado: duodeno, jejuno e íleo. Ilustração: La Gorda / Shutterstock.com



   Essas bactérias se alojam estabelecendo um “habitat” na luz intestinal, camada de muco e superfície epitelial. No nascimento, é adquirida no canal do parto, alcançando uma composição definitiva em torno dos dois anos de idade até o resto da vida.
  O estabelecimento de tal comunidade microbiana é complexo e influenciado por vários fatores como: dieta; idade; utilização de antibióticos, probióticos e prebióticos; ambiente; microbiota materna e via do parto; interações microrganismo-hospedeiro e presença de certos genes e receptores.
          Devido às diversas funções, o que configura uma grande importância para o organismo, a microbiota pode ser comparada a uma entidade funcional ou um “órgão” dentro do hospedeiro.








As principais funções desse “órgão” são:
1.      Resistência à colonização por outros microrganismos, ou seja, as bactérias ali presentes diminuem ou inibem a colonização de outros microrganismos, principalmente as bactérias patogênicas causadoras de doenças, através de uma competição por nutrientes, por adesão nas células do hospedeiro e pela produção de produtos metabólicos ou tóxicos para essas outras espécies invasoras.

2.      Estimula a Imunomodulação, ao induzir resposta rápida e eficiente a uma agressão microbiana, pois tais bactérias são incorporadas previamente ao tecido linfoide intestinal (células M) sendo “apresentadas” às células linfoides, o que estimula a memória imunológica, promovendo uma resposta aos futuros antígenos.

3.      Contribuição nutricional resultante das interações locais e dos metabólitos produzidos (possui uma atividade metabólica potencialmente semelhante à do fígado) ao sintetizar vitaminas do complexo B e a vitamina K, e contribuir com ácidos graxos voláteis que são rapidamente absorvidos sendo a principal fonte de energia para os tecidos periféricos e do fígado.

4.      Possível controle lipídico sanguíneo, pois usam como substrato energético fibras, ácidos biliares e colesterol. Além de estimulares renovação celular, por utilizarem também, de mucinas, tecidos epiteliais e enterócitos. Alimentam-se, principalmente, de oligossacarídeos e açúcares, que são conhecidos como prébioticos.







Referência Bibliográfica:

BARBOSA, Flávio Henrique Ferreira; MARTINS, Flaviano dos Santos; BARBOSA, Larissa Paula Jardim de Lima; NICOLI, Jacques Robert. Microbiota indígena do trato gastrintestinal. Rev. de Biologia e Ciências da Terra. Vol 10. No 1. Universidade Federal da Bahia. Junho, 2010. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário